Truque para combater a procrastinação

Estudo mostra que comportamento atrapalha até planos de poupar dinheiro

Um estudo publicado na Psychological Science e divulgado pela Revista Exame mostrou como as pessoas procrastinadoras se comportam em relação a eventos futuros que exigem ação atual, como uma poupança de longo prazo, por exemplo. “As pessoas assumem que devem dar conta do presente e que seu eu do futuro pode lidar com o que está por vir”, explica Daphna Oyserman, professora de Psicologia e pesquisadora da Universidade do Sul da Califórnia (University of Southern California ou USC).

Esse é o pensamento típico das pessoas que costumam deixar tudo para depois e, de vez em quando, se veem com um monte de “coisas a fazer” seja no trabalho, nos estudos ou na vida pessoal. De acordo com a pesquisadora, para que o futuro possa motivar a ação atual, ele deve parecer iminente. E isso pode acontecer com um truque  simples: se pensarmos no futuro como o agora, alterando as métricas para medir o tempo.

Durante os estudos, a equipe de pesquisadores descobriu que os participantes que calculavam suas metas e prazos em dias – no lugar de meses ou anos – viam o futuro como algo mais próximo e sentiam-se mais motivados para realizar seus objetivos.

Um dos experimentos mostrou como essa noção de tempo afeta planos para começar uma poupança de longo prazo. Mais de 1.100 voluntários foram perguntados sobre quando iriam começar a poupar dinheiro para a faculdade ou aposentadoria, e descobriu-se que planejavam começar a poupar quatro vezes mais cedo aqueles que pensavam no evento  em termos de dias em vez de anos.

E não era só sobre o dinheiro: eles se sentiam mais ligados ao seu eu futuro e estavam mais dispostos a deixar de lado os gastos com recompensas atuais. O fato é que, como apontam os pesquisadores – e todos nós sabemos bem – tempo, recurso e atenção são limitados. Sendo assim, nós os alocamos para os eventos que são urgentes – aqueles que devem acontecer em questão de dias e deixamos de lado aqueles que acontecerão meses ou anos mais tarde.

Isso é natural; o problema é que estamos sempre sendo pressionados por necessidades urgentes e é muito difícil conseguir parar para se dedicar a planos que estão mais lá pra frente – e, quando eles chegam, já estamos super atrasados.

Pensar no futuro usando métricas mais sensíveis (meses em vez de anos, dias em vez de meses, por exemplo), provou ser de grande ajuda para torná-lo um foco de atenção. E isso é importante não só porque cria a impressão de urgência maior, mas porque, como diz o estudo, “dá a sensação de que o futuro e o presente estão conectados e, portanto, são harmônicos em vez de conflitantes”. E aí, vamos tentar?

 

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