Seu filho quer tudo? Saiba lidar com esse comportamento

Muitos fazem verdadeiros malabarismos financeiros para atender aos desejos

As crianças são alvos fáceis para o mercado publicitário. Em questão de segundos, elas gravam a imagem da propaganda na TV que mostra uma boneca ou um carrinho que acabou de ser lançado. O próximo passo é correr para a família pedindo que compre o brinquedo. Imediatamente!

Diante desse tipo de apelo, alguns adultos ficam sem saber o que fazer. Querendo dar aos filhos o que não tiveram em sua própria infância, muitos fazem verdadeiros malabarismos financeiros para atender aos desejos – às vezes caríssimos – de seus pequenos. Outros acabam cedendo por não aguentar tanta insistência ou por terem medo de que seus filhos se frustrem.

Para lidar com a situação, o consultor financeiro e autor de livros sobre educação infantil Álvaro Modernell dá algumas dicas. “A tecnologia e os meios de comunicação evoluíram e hoje a criança tem muito contato com a publicidade. A única solução é ensiná-la a conviver com esse apelo”, explica.

Segundo o especialista, ceder aos pedidos dos pequenos nem sempre é o melhor caminho. Dizer “não” à criança não significa desamor. Pelo contrário: é preciso ensinar a ela que ganhar dinheiro exige sacrifício e por isso é necessário saber gastá-lo com muito critério.

“Crianças mais conscientes se transformam em adultos responsáveis, tanto na parte emocional como financeira. As que têm seus desejos atendidos pelos pais sempre, crescem acreditando que podem ter tudo o que querem, em qualquer tempo, a qualquer hora. Além disso, essas crianças poderão construir uma falsa realidade sobre a situação econômica da família, o que também não é bom”, explica Modernell.

Por esses e outros motivos é fundamental ensinar desde cedo a importância da educação financeira para os pequenos. Com cinco passos básicos, o consultor ensina o caminho:
 

1. Ensine seu filho a esperar
Este é um treino importante para a vida adulta. Sempre que seu filho pedir um brinquedo novo, mesmo que tenha dinheiro em caixa, evite comprar imediatamente. Que tal combinar de dar o presente na próxima data especial, no aniversário, no Dia das Crianças ou mesmo no Natal? Ele dará muito mais valor ao presente se tiver que esperar por ele. Pode ser também que ele mude de ideia a respeito do pedido, o que pode demonstrar que ele não queria o brinquedo tanto assim.

2. Não esconda a realidade
Outro item básico na educação financeira das crianças é ser honesto em relação à realidade econômica da família. Não há motivos para se envergonhar ao dizer que o preço daquele brinquedo que seu filho deseja está completamente fora do seu orçamento. É só mostrar à criança que existem outras prioridades na família, além de compromissos financeiros que precisam ser honrados. Vale falar da importância de comprar comida e roupas, por exemplo, que são coisas concretas e mais fáceis para a criança entender. Fazer um discurso sobre a alta taxa do condomínio ou sobre a inflação, mesmo para crianças um pouco mais velhas, é pura perda de tempo.

3. Explique a diferença entre querer e precisar
Querer e precisar são verbos com significados diferentes e cabe aos pais mostrarem às crianças onde mora a diferença. Também é importante conversar com os pequenos sobre a importância de valorizarem o que eles têm, em vez de acostumá-los a pedir sempre mais. “Mostre à criança que é possível brincar e ser feliz com os brinquedos que ela já tem, que a satisfação dela não deve estar vinculada à compra do produto anunciado na propaganda”, ensina o especialista.

4. Estimule-o a poupar
Dar de presente à criança um cofrinho simples, de plástico, pode ser o primeiro passo para ensiná-la a investir. Você pode estimular seu filho a guardar ali o troco do lanche, as moedas que ganha do avô e até uma parte da mesada que recebe. Se ele conseguir juntar pelo menos uma porcentagem do valor do brinquedo que deseja, você pode até complementar essa soma para efetuar a compra. Ainda assim, terá dado ao seu filho a oportunidade de adquirir um aprendizado que ele levará pelo resto da vida.

5. Não exagere nas cobranças
Ensinar os princípios básicos de economia é essencial para a formação de um cidadão capaz de exercitar um consumo consciente. Porém, é preciso todo o cuidado para não ir de um extremo a outro. Um adulto perdulário é tão problemático quanto um sovina. “Estimular a criança a guardar dinheiro é positivo, mas sem exageros. O equilíbrio deve prevalecer em todas as situações”, finaliza Modernell.

Tags: bom comportamento conversa educação financeira filhos valorizar mercadopublicitário

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