Projeto de solidariedade ajuda na recuperação de pacientes em hospitais

Baseado na filosofia Slow Medicine, projeto é realizado no RJ

A rotina de um hospital não é nada fácil e, em um deles localizado em Itaperuna, no Rio de Janeiro, duas irmãs que estudam medicina, auxiliadas por uma professora em comum, criaram um projeto não muito usual para tratar de seus pacientes. Os resultados são tão positivos, que o projeto tem conquistado voluntários pelo Brasil.

Imagem: Reprodução Instagram (Liga Acadêmica Slow Medicine)

A ação tem como filosofia base, a Slow Medicine. Caminhando na contramão da correria insatisfatória dos hospitais, a teoria, que significa “medicina sem pressa”, busca resgatar o tempo como elemento essencial de uma abordagem médica. Nesse caso, o tempo para ouvir. A filosofia enfatiza o raciocínio clínico e o cuidado focado inteiramente no paciente. Pelas mãos da especialista em clínica médica, Tânia Brum, surgiu a ideia do grupo.

Baseado nisso, as estudantes e irmãs Isadora e Victoria Carestiato fundaram uma liga acadêmica para a criação de projetos e, dentre eles, nasceu o Ajude com Cartas. Segundo elas, o projeto tem sido de grande importância no tratamento de pacientes em estado mais grave: “Os resultados aparecem no rosto deles, em sorrisos”, contou Isadora ao site Gazeta do Povo.

O funcionamento do projeto se inicia com a elaboração de uma carta. Quem a escreve não conhece o paciente que será o seu destinatário. Contudo, o teor da carta é simples e fundamental: trata de desejar o bem e a cura da pessoa, ajudando na recuperação desse paciente. Com palavras de carinho, afeto e força, o próprio destinatário quem escolhe o teor da carta, que passa por uma curadoria do projeto.

E o resultado dessas cartas é muito positivo. A equipe relata que os pacientes que recebem as cartas apresentam melhoras nos sinais vitais e voltam a lutar pela própria vida. Isadora diz que as mensagens aliviam a dor dos pacientes: “É indescritível o quanto os pacientes ficam gratos, muitos inclusive fazem questão de responder”.

A primeira carta que serviu de pontapé inicial para o projeto, foi a do estudante Gabriel Brum. A cartinha do menino caiu nas mãos de Seu Emanuel, que estava sozinho no hospital. Imediatamente após a leitura, Emanuel foi às lágrimas. Desde então, o projeto conta com 150 cartas.

Uma das pacientes agradeceu e incentiva pessoas a continuarem mandando suas cartas: “Vocês, por favor, continuem mandando essas cartinhas... porque nós que estamos no leito aqui, a dor é tão grande, cada vez que levamos uma agulhada, a dor é tão forte, da enfermidade que estamos tratando aqui. E cada vez que a gente recebe uma carta tão carinhosa como essa, o ânimo da gente renova e a gente quer viver”, disse a paciente ao Gazeta do Povo.

Ajude mandando sua carta

Você pode ajudar enviando sua carta e mudar a vida de um paciente. Para fazê-lo, escreva e remeta aos cuidados de Tania Lopes Brum, a preceptora do projeto, na Rua Satiro Garibaldi, 358, Centro, Itaperuna, Rio de Janeiro. O CEP é 28300-000. As cartas são abertas e avaliadas pelos integrantes da Liga, que direcionam aos pacientes. Um dos 25 acadêmicos fica na responsabilidade de ler as cartas.

Atualmente, são 150 cartas a serem lidas para os pacientes nas próximas semanas.

Tags: qualidadedevida saúde

Veja mais