Crescimento, retração e a “economia ioiô”

Fenômeno acontece periodicamente e ditam as regras da economia

Jean-Charles Sismondi, historiador suíço, foi pioneiro na identificação de um fenômeno recorrente na economia mundial: as crises econômicas periódicas. A alternância entre crescimentos econômicos de muita força e períodos de estagnação da economia são comumente chamados de ciclos de crescimento e retração.

E ocorrem justamente como um brinquedo de criança, o ioiô. De maneira geral, grandes empresas obtêm lucros exorbitantes em períodos de expansão, o que gera um excesso de oferta. Para competir pela demanda, ou seja, por consumidores, as empresas cortam os preços, gerando baixos lucros, demissões em larga escala e a chamada depressão econômica. Com os preços mais baixos, naturalmente a demanda volta a crescer e os lucros tornam a subir, voltando a fase inicial do ciclo.

Vai e vem

Em cenários positivos, onde a economia passa por crescimento, isso significa que as empresas caminham rumo ao êxito de suas metas. Se estas vão bem, trabalhadores podem pedir aumento e atuarem como consumidores de forma mais ativa, onde gastarão mais e comprarão aquilo que produzem. É justamente esse cenário o combustível para o crescimento da economia. Enquanto os produtos são vendidos, a economia segue sua expansão. Isso faz com que empresas contratem mais mão de obra para produzir mais bens. Os trabalhadores novatos, com dinheiro, compram e sua própria produção, mantendo a alta econômica.

De acordo com Sismondi, a concorrência tende a crescer, fazendo com que as empresas aumentem suas produções. Naturalmente, a oferta ultrapassará a demanda e as empresas terão de baixar os preços para equilibrar o cenário atraindo mais clientes. O resultado são lucros e salários menores e demissões. Resumidamente, queda e recessão econômica.

Nessas situações é comum observar o movimento de mercados altistas e baixistas. Estes surgem quando a economia cresce e retrai-se, onde irão subir ou descer. Os que aumentam constantemente os seus preços são os altistas, os que baixam, baixistas. Os que mais se enquadram nessa definição são os de ações, imóveis e títulos.

No mercado de ações, por exemplo, os investidores costumam agir com otimismo em épocas de crescimento da economia. Eles compram ações em maior quantidade, fazendo com que os ativos subam de preço. Quando o processo se dá ao contrário e a economia se retrai, o processo segue pelo caminho oposto. Os investidores tornam-se baixistas e vendem os ativos a medida que o mercado cai.

Porém é importante entender que os ciclos podem não obedecer uma ordem periódica ou lógica padronizadas. A facilidade, todavia, é perceber que as fases e várias etapas que os caracterizam exemplificam bem o conceito de que crises são cíclicas. Elas se iniciam, aumentam e depois se dissipam. A economia só volta a crescer depois que as crises são trabalhadas. E depois desse ponto é que tudo se repete.

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