Aposentados tendem a gastar mais, planeje-se

Índice de inadimplência entre os idosos está aumentando, segundo pesquisa

Dados divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) mostram um aumento considerável no número de idosos endividados. De agosto de 2014 para agosto de 2015 o número de consumidores inadimplentes entre 65 e 94 anos aumentou em 8,56%, enquanto o aumento na média nacional foi de 4,86%. Os idosos nessa faixa etária representam 8,82% do total de devedores no Brasil.

Pelo levantamento, o setor de água e luz lidera o ranking de inadimplência entre os idosos (17,08%), seguido das dívidas com bancos (14,42%). De acordo com o gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges, uma das razões da inadimplência nessa população é a combinação entre a redução da renda e um aumento de gastos, em geral com a saúde, com itens como remédios e exames.

A pesquisa desmente a ideia, bastante comum, de que os gastos diminuem com a aposentadoria. Algumas despesas, como a educação dos filhos, por exemplo, realmente deixam de existir. Em compensação, outras sobem. É o caso dos planos de saúde, que ficam mais caros conforme a idade do assistido. Por isso, para não ser obrigado a entrar na inadimplência ou fazer um empréstimo consignado, o melhor é se planejar bem antes da aposentadoria.

O educador financeiro Álvaro Modernell, diretor da Mais Ativos Educação Financeira aconselha que é importante ter conhecimento dos seus gastos. “Desde o início da vida profissional, é preciso saber para onde vai o dinheiro. A vida de um profissional aos 25 anos de idade, por exemplo, costuma ser bem diferente de alguém que está perto de se aposentar, no que diz respeito aos hábitos de consumo e necessidades. Daí a importância de acompanhar atentamente seus gastos alguns anos antes de parar”. O detalhamento de seus gastos atuais pode ajudá-lo a planejar sua vida financeira no futuro. Veja alguns itens que devem ser levados em consideração:

Custo de vida

A maioria dos aposentados precisará gastar entre 60% e 90% de sua renda para manter o mesmo padrão de vida de quando estava na ativa, o que não será possível apenas com o benefício pago pelo INSS: “Por isso, quanto mais puder investir em um plano de previdência, melhor. Se o participante tiver clareza dos seus gastos, pode se organizar para aumentar suas contribuições e aumentar o valor do benefício no futuro”, lembra o educador financeiro.

Transferência de custos

Com um bom planejamento, você poderá quitar sua casa, por exemplo, antes de se aposentar. O gasto com o financiamento retirado de seu orçamento poderá ser substituído por outro, como viagens ou planos de saúde.

Inflação

Em geral, muita gente esquece de levar em conta o efeito da inflação. Após dez anos de aposentadoria, os custos mensais não serão os mesmos do seu primeiro dia como aposentado. Além disso, os benefícios recebidos nem sempre acompanharão a inflação. Por isso, é importante fazer ajustes em seu orçamento durante a aposentadoria, mantendo-se sempre a par dos aumentos causados pela inflação.


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