27% dos brasileiros que possuem vale-refeição gastam todo saldo antes do mês acabar

Gasto total com alimentação fora de casa representa cerca de 30% do salário médio

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção do Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que uma em cada cinco pessoas que possuem vale restaurante e/ou alimentação não controlam os gastos feitos com essa modalidade (20%). Além disso, 27% admitem extrapolar o valor dos benefícios, sendo necessário complementar o total.

O levantamento também identificou que, embora seja uma prática não recomendada, 20% dos entrevistados que possuem ticket restaurante e/ou alimentação costumam vender o benefício para complementar a renda, sobretudo entre quem pertence às classes C, D e E (22%). “Vale ressaltar, porém, que a venda do benefício é uma prática não permitida, já que o benefício tem destino certo: a alimentação do colaborador”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

A venda pode, inclusive, gerar punições severas por parte da empresa, culminando até na demissão do trabalhador. “O ideal é que o trabalhador se organize para destinar o valor do benefício somente em alimentação para si mesmo, usando o seu salário para os outros gastos. A venda do benefício, além de não permitida, gera uma perda do valor total recebido pelo trabalhador, uma vez que a venda é sempre feita com ágio”, diz Kawauti.

De acordo com dados do Ministério do Trabalho e da Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador – ASSERT, no ano passado o programa beneficiou 10,9 milhões de pessoas entre os que recebem ticket refeição e alimentação. Desse total, 62,7% da força formal de trabalho foram atendidos pelo sistema de convênio (vale-alimentação representa 38,8% e o refeição 23,9%).

A economista-chefe alerta sobre a importância de controlar o uso do ticket: “O ticket alimentação ou restaurante é um benefício financeiro que precisa ser bem administrado para impactar positivamente a renda da pessoa. Quando utilizado da maneira correta, ou seja, sem gastos excessivos ou desnecessários, torna-se um aliado do trabalhador, seja nas despesas diárias como alimentação fora de casa, seja nas compras do mês”.

Uma refeição completa feita fora de casa, hoje, custa, em média, R$ 30,00 de acordo com dados da ASSERT. Considerando o salário médio de R$ 2.015,00 por trabalhador, apurado pelo IBGE, o gasto total com alimentação representa cerca de 30% do rendimento, segundo estimativa do SPC Brasil. “Por esse cálculo se pode ter ideia da importância de um benefício como o vale-restaurante e alimentação”, conclui.

Tags: alimentação comportamento orçamento organização financeira

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